quinta-feira, 21 de maio de 2020

EU NADA TENHO A RECLAMAR, A NÃO SER...








EU NADA TENHO A RECLAMAR, A NÃO SER...

Ysolda Cabral 





O meu dia de ontem foi repleto de alegria, tristeza e até de muita saudade, bem como de trabalho e emoção. Confesso que fazia tempo que eu não sentia a Vida correr em minhas veias com tanta intensidade. - Como a Vida é preciosa! Não entendo a razão das pessoas reclamarem tanto. - Eu, nada tenho a reclamar, a não ser…

Bem, na fruteira, as bananas, bem maduras, me faziam um convite tentador... - Adoro cartola e minha filha também. Contudo, lembrei que o queijo havia acabado no café da manhã e eu, às voltas entre minhas tarefas e mais a visita inesperada do Vento, acompanhado da Chuva, me fizeram esquecer de pedir à Padaria para me trazer uma nova e generosa porção do queijo que costumo comprar. - E agora?

Fiquei meio sem ação, sentindo o sabor da cartola na boca que, sem máscara e sem sorriso, protestava. E, já que “fritar” está tão em voga, resolvi fazer isso com as bananas. Elas também davam motivos, além do meu desejo, claro. E, já as visualizando douradas, cobertas de açúcar, chocolate e canela, me dirigi ao fogão.

- Liguei a TV naquele canal odiado, mas que amo, para não perder nenhum episódio da série mais polêmica e vista de toda história da televisão – “ A Política Brasileira e a Pandemia” -, e, com satisfação, comecei a fritar as bananas. Depois de prontas coloquei na travessa.

Como minha filha é metade “fitness”, - metade, eu disse -, adicionei o açúcar que ela prefere, compra e ela mesmo guarda, mais o chocolate e a canela. Tudo pronto, a chamei para saborear a delícia comigo. Quando ela chegou a mesa da cozinha, lhe servi primeiro uma boa porção, como toda mãe dedicada faz, e antes que eu me servisse, e começasse a comer, ela já pulava, abanando a boca com as mãos e correndo em busca de um copo d'agua. Assustada, sem saber o que estava acontecendo, paralisei.

Depois de controlar a situação, ela me perguntou o que eu havia colocado nas bananas. Eu lhe respondi: seu chocolate, sua canela e o seu açúcar. - Aquele ali marronzinho, apontei. Ela então, falou: "mainha o meu açúcar acabou! Aquele ali é PIMENTA em pó”.

- E eu lá ia adivinhar uma coisa dessas?! Desde quando pimenta se disfarça de açúcar mascavo? - E, ademais, ela não colocou etiquetas nos respectivos recipientes.

- Que coisa! E, lá fiquei sem o meu lanchinho tão desejado. Foi tudo para o lixo.

- Filha faz cada uma!


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Praia de Boa Viagem-PE
Em tempos tumultuados 
21.05.2020
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ir de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor.

* Na imagem ilustração: minha filha e eu. :)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

NOSTALGIA EM DESFILE






NOSTALGIA EM DESFILE
Ysolda Cabral 



Tal qual um lindo Bloco de Carnaval, 
a Inspiração chegou e do nada passou.
Passou pela avenida sem o meu aval, 
e a alegria no meu coração tombou... 

Lá se foi meio sem graça e sem sal,
no Sol escaldante ela se desintegrou,
e se perdeu como se perde um festival. 
Eu chorei, porém ninguém mais chorou.

E agora sem sonho e sem fantasia, 
creio que a Poesia de mim desgostou. 
Da Inspiração? Não tenho mais notícia.

Hoje, assim que o Sol acanhado raiou,
não vi sorriso felicidade. Vi a Nostalgia
que, em lágrimas, no meu rosto desfilou.

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Praia de Boa Viagem-PE
27.02.2020
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor.



* Imagem ilustração: Google

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

DESEJOS DE CARNAVAL





DESEJOS DE CARNAVAL 

Ysolda Cabral



Do Carnaval quero toda a alegria,
a música que entontece e alucina.
Quero mil cores numa linda fantasia,
o perfume, o confete e a serpentina.

Do Carnaval quero toda a energia,
de amor e da paz que ninguém tira.
Quero o sorriso sorrindo com ousadia,
mandando embora tristezas da lira.

Ah! Do Carnaval eu quero uma máscara,
apenas para um faz de conta infantil,
que me leve ao mundo de beleza rara.

Um mundo onde prevaleça o azul anil,
onde só exista fonte de água pura e clara,
com poder de voltar ao Tempo Juvenil.

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Apenas Ysolda 
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza , ou saudade sem pudor. 


* Na ilustração
Ysolda em arte de Leneide Leite

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

SOU ABENÇOADA






SOU ABENÇOADA
Ysolda Cabral



Nossa, como o Tempo passou rápido! 
Tão rápido, filha, que nem vi direito...
Porém, saiba que deixou lindos rastos,
os rastos do maior amor no meu peito.

Ah! Peito, você tem que ser vasto,
para acomodar com muito jeito,
o amor que só cresce belo e casto,
dentro deste meu coração imperfeito.

De bebê para uma moça muito linda, 
que pena, não demorou quase nada!
Mas, no meu colo é sempre bem-vinda.

Sabendo que é verdadeiramente amada, 
leia estes versos que componho e sinta,
o quanto, por ter você, sou abençoada. 


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Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor. 


* Na foto ilustração : Eu e Yauanna com 02 anos. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

O INEVITÁVEL


Av. Agamenon Magalhães - Espinheiro - Recife-PE
fotografada por mim em 24.01.2020 



O INEVITÁVEL
Ysolda Cabral 



Gosto da harmonia que vejo na Avenida, entre o azul do Céu, o cinza do asfalto e a ausência de carros, aço, ruídos e eu que, por algumas frações de segundo, sou pássaro a voar com as asas do pensamento até o Parnaso. Lá, procuro um lugar e faço um pouso estratégico para o descanso e volto. Não trago versos que valham a pena, mas trago uma alma carregada de Poesia e aquietada em relação a pressa. Logo o semáfaro abre e todo cenário volta ao cotidiano de todo dia. Vejo a magia daquele instante sumir no alto do viaduto. Penso em adeus e uma buzina me lembra o inevitável..

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Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

ANO DE 2018 NA UTI DO TEMPO




Praia de Boa Viagem - Recife-PE
Imagem coletada no Google



ANO DE 2018 NA UTI DO TEMPO
Ysolda Cabral 



Como barata que por onde passa deixa o rastro e o cheiro estragando tudo, a Tristeza também faz isso e com tal zelo que o Ano de 2018 vai terminando de maneira atropelada. Atropelamento que comprometeu a Esperança, a Alegria e o Ano tende a morrer a míngua num canto qualquer da UTI do Tempo...

Como sou muito, muio teimosa, não desisto de tentar salvá-lo. Recorro, então, a remédios eficazes, prescritos pelo meu médico, Tambor do Encantado (coração) e vou ministrando com cuidado para não errar excedendo nas doses. Alguns podem até ser aplicados no mesmo momento posto que, não existe contraindicação. Sei que ouso abusando nas dosagens, ora em Sol Maior, do Laboratório Musical e Sonhos de Céu Sempre Azul, do Laboratório Eu; com Lua, Em Quarto Minguante, com o Neblina, do Laboratório Noite Escura. E aí clareia o Dia na Recepção da Unidade de Terapia Intensiva...

Levanto eufórica ao perceber que houve uma boa resposta, uma pequena melhora na condição do Ano. Sorrio feliz e me animo um pouco chegando a torcer para que ele, com um pequeno esforço, vá morrer na Praia, sob a luz do Luar e de fogos de artifícios; e não numa UTI, em consequência de um atropelamento de responsabilidade da Tristeza, da marca Barata & Associados Ltda.

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De algum lugar
27.12.2018
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor.


Aproveito para desejar a todos um Feliz Ano Novo. 

Código do texto: T6536703 
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SOU MESMO GENIAL




Imagem coletado do Google 


SOU MESMO GENIAL
Ysolda Cabral 



Não lembro de um verão tão quente como o deste ano e em toda Região Metropolitana do Recife. Chegar em casa, após seis horas corridas de trabalho, tendo que enfrentar um trânsito congestionado, todo santo dia, - nos últimos dias agravados por protestos de profissionais da área da saúde que o Governo do Estado entendeu que devem trabalhar sem receber os seus salários, não tem sido nada fácil.

Ontem cheguei em casa tão esbaforida, tão acalorada que só pensava em uma ducha fria e depois me esbaldar numa taça de sorvete bem generosa. Sorvete feito por mim, claro! Não gosto desses sorvetes industrializados que vendem por aí e com preços exorbitantes. Bem, após me refrescar numa abençoada ducha, constatei que o sorvete havia acabado. Resolvi fazer. Demoraria um pouquinho a ficar pronto, mas tudo bem.

Peguei duas mangas-rosa, descasquei e, ao tentar parti-las em pedacinhos, para levar ao liquidificador, não consegui de tão maduras que estavam. - Eu precisava da polpa, bem liquidificada, para passar na peneira e só depois levá-la de volta ao liquidificador e adicionar leite moça, o creme de leite e outras coisinhas mais. E agora como eu iria conseguir fazer isso? Daí pensei: ora, se a mangaba, o cajá e até a pinha a gente coloca no liquidificador, aciona o botão de impulso e consegue a polpa num piscar; por que não a manga, se o seu caroço é só um pouco maior? - Bem, na verdade é muito maior, né Ysolda? - Cuidado, me avisou a prudência, ou foi um resquício de inteligência?

Não quis nem saber! Eu queria sorvete de manga e ia ter de qualquer maneira. Ajeitei, no copo do liquidificador as duas mangas, coloquei meio copo de leite, liguei o botão e... Consegui!!! Porém, o liquidificador perdeu todos os ''dentinhos'' - eu nem sabia que existiam! - E não falo das hélices! - Chamei de dentinhos aquelas peças que ficam por baixo do copo e que proporcionam o encaixe perfeito para que o bicho funcione. - Pois é! Voaram todas... Mas, se não tivessem voado, eu não teria me achado doida e nem burra. Teria me achado genial. Entretanto, a bem da verdade, pensando melhor, não sei se não posso me achar genial... Afinal consegui a polpa, a um custo bem alto, é verdade - me custou um liquifificador, que foi direto para a lixeira, junto com o que sobrou dos caroços da manga. E, graças ao reserva, consegui terminar o sorvete que ficou uma delícia.

- Eu lá tenho culpa se aqueles dentinhos estavam mais pra protése dentária ou coroas?!

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Praia de Candeias-PE
13.12.2018
Apenas Ysolda 
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor. 



Código do texto: T6526009 
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