quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

ATÉ ONDE VAI A VAIDADE HUMANA


Imagem Google 



ATÉ ONDE VAI A VAIDADE HUMANA 
Ysolda Cabral 




Ontem o dia foi meio complicado, travado... Dias assim são tão comuns para mim que não mais me afetam. Tiro de letra fácil, fácil. E foi conjecturando essas bobagens que encerrei meu expediente e segui viagem de volta à minha Candeias, - de ônibus, muito bem acomodada, num assento reservado para os maiores de sessenta anos. Quando chegamos no Bairro de Boa Viagem, na Parada do Shopping Center Recife, passageiros saíram do ônibus, outros entraram. Alguns até bem animados, já outros esbaforidos de calor. Entre eles, reconheci de imediato uma poetisa e escritora, minha ''‘amiga’'' virtual de longa data. Como o assento ao meu lado era o único desocupado, foi nele que ela sentou. Esperei que se acomodasse. Nessa espera tive a impressão que se escondia atrás do cabelo. Aguardei, ponderando ser mesmo impressão e que, tão logo acomodasse a bolsa e as sacolas de compras no colo falaria comigo. - Ah, como eu estava feliz de conhecê-la! Bom, ela se ajeitou da melhor maneira possível, e nem olhou para mim. Talvez nem tivesse me reconhecido...

Feliz da vida, tomei a iniciativa e perguntei se ela era “fulana de tal” – me referindo ao seu pseudônimo. Para minha surpresa ela disse que não e ao me dizer seu nome de batismo, deve ter lembrado que eu também sabia desse e parou bem na metade, sorriu amarelo e falou outro nome…(??)

Nunca me deparei com uma situação tão inusitada e confesso até agora não ter entendido a razão dela ter agido daquele maneira. Ora, nem gêmeas idênticas seriam tão iguais! Disse-me estar passeando por Pernambuco e que era natural do Piauí. 

Engraçado é que não sou muito de guardar nomes, mas guardo fisionomias e as reconheço, até as que conheci e conheço só de fotografia, mesmo depois de ''‘maquiadas’'' pelo Tempo se as encontrarem pessoalmente. E a fisionomia da minha companheira de viagem de ontem eu reconheci, sem nenhuma dúvida. - Será que ficou envergonhada por estar em assento reservado para o pessoal da terceira idade, ou por estar usando um transporte coletivo? - Quem vai saber o que se passa na cabeça de uma mulher vaidosa? ...

Depois de algum tempo, quando já ia chegando ao seu destino, lembrou de perguntar o meu nome. Eu, sorrindo, um sorriso triste e decepcionado, mas conformado, lhe respondi: sou Ysolda. Apenas Ysolda.

**********

Praia de Candeias-PE
06.12.2018
Apenas Ysolda 
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor. 

Código do texto: T6520487 
Classificação de conteúdo: seguro

APENAS HOJE


Imagem Google 



APENAS HOJE
Ysolda Cabral


Há um cansaço que me ronda,
que sutilmente me sonda,
me deixando descomposta,
um tanto fora de mim...

Um cansaço cansado,
mordaçado em jeito louco...
Um cansaço pesado que me faz refletir;
será que ainda estou aqui?

Com as mãos postas, 
o coração quase parado, compungido,
percebo que, hoje, apenas hoje, 
a Vida se esqueceu de mim.

*********
Praia de Candeias -PE
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor

Código do texto: T6519664 
Classificação de conteúdo: seguro

terça-feira, 27 de novembro de 2018

SOB A INFLUÊNCIA DO IPÊ



Foto ilustração: Ysolda 


SOB A INFLUÊNCIA DO IPÊ
Ysolda Cabral 



Como é fácil me perder nos acordes de um blues, também ao me deparar com um Ipê florido, aí fico estática, apaixonada, em verdadeiro estado de graça... Ah! E quando me deparo com um pássaro bonito, com o seu canto; ou, com os primeiros passos de uma criança... E quando me deparo com o belo sorriso de minha filha?... Chego a ficar irresponsável, pois esqueço o que tenho que fazer, aonde ir e tudo me parece poder ficar para depois. Infelizmente, como isso não pode acontecer sigo o meu caminho, mas levo comigo, bem dentro de mim, a beleza desses momentos, - o que vi, senti, escutei, vivi... Minha alma renovada, ainda mais leve flutua dentro de mim e se sair, sei que o ''voo'' será para um lugar perfeito. Claro que alguma pontada de tristeza e de saudade me acompanham. Não seria normal se não fosse assim... E lá vou eu, sem olhar para trás. Não preciso! O que gostaria de olhar, viver, outra vez, seguem na minha mente e se ela me faltar... Ah! Não importa. Já valeu!

Quero viver o agora e o agora é lindo. Sinto-me viva, feliz, saúde quase que perfeita e por tudo isso dou Graças. O dia está suave e é sexta-feira. - O que mais posso querer?


**********



Tem filha mais linda? 

**********

Espinheiro - Recife-PE
23.11.2018
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor.

Código do texto: T6509987 
Classificação de conteúdo: seguro

NUANCES DA SOLIDÃO





NUANCES DA SOLIDÃO
Ysolda Cabral



Permita-me falar bobagens.
- Permito-me!
Desopilo, dou risada...
Sou tão engraçada!...
Se falo verdades ou mentiras...
- Quem liga?...
Só eu me escuto!
Acho tão genial e bonito!

Dando voltas no meu Mundo,
por vezes me confundo...
Viro do avesso e assumo
que sumo no sem rumo
e me perco num vácuo
profundo que aprofundo,
mas, sempre há o reencontro.

Sou Sol, Sou terna Lua...
Sou Mar, sou Rio, sou Lago...
Da lágrima de uma Nuvem,
sou um fiapo de Chuva...
Sou o zunir do Vento afoito...
Sou como um Pirilampo,
ou Beija-flor de bico torto
perdido numa Terra estranha.

Não! Não se assuste.
- Não me assusto!
São apenas nuances da Solidão
que teima em me acompanhar,
em horas tolas e desperdiçadas, 
que passo, passo a passo, por aqui
ou, a passos rápidos!...

************
Praia de Candeias – PE
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor.

* Imagem do Google que gosto muito e
a tenho utilizado em alguns textos, há varios anos.


Código do texto: T6508983 
Classificação de conteúdo: seguro

ETERNIZANDO UM MOMENTO


YAUANNA - FOTO YSOLDA 



ETERNIZANDO UM MOMENTO
Ysolda Cabral 



Amanheceu nublado e mesmo assim lindo, lindo. Saímos de casa, eu e a minha filha, por volta das seis e pouquinho. De repente o Céu desabou sobre nós e a Chuva veio forte fazendo o Dia anoitecer. Faróis acesos e atenção redobrada na rodovia, mesmo assim, arrisquei um olhar de soslaio para o Mar... Ele, com cara de poucos amigos, fechado com o Tempo, fingiu me ignorar. Sorri, apenas sorri e segui respirando o doce aroma que vinha da Terra molhada de Chuva. Em paz, pensei onde estaria Deus... - Estaria Ele no Céu, ou no Mar? E, de dentro do meu coração, escutei uma Voz a me dizer: Estou em todo lugar bem aqui no seu coração. O Dia clareou e o Mar me sorriu em ondas plácidas, enquanto o Vento, gentilmente, penteava os cabelos da minha filha para que eu pudesse eternizar o momento da mais pura beleza e amor, através de uma fotografia.

**********

Marco Zero
Recife,16.10.18
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor. 

Código do texto: T6477598 
Classificação de conteúdo: seguro

BATIZANDO O DIA



IMAGEM GOOGLE 



BATIZANDO O DIA
Ysolda Cabral



Quando a Poesia me abandona me sinto só, extremamente só. Não sei como isso acontece. Mesmo sabendo que ela circula por perto em algum lugar a me espreitar, desafiar, desatinar... Talvez faça isso para saber como eu consigo viver sem ela. E o vazio se faz de forma tão intensa, tão intensa que o Mar não passa de plano de fundo na minha janela; o Sol, se torna um holofote poderoso no meio de um estádio fantasma, em desuso, e quanto a Lua, tadinha dela, tão linda na imensidão do Céu a me lembrar uma velha alcoviteira, cansada da luta a perambular trôpega, a mercê de jovens e caprichosas nuvens.

Ah! E quando amanhece, o canto dos passarinhos eu não escuto como o mais belo Concerto Matinal e sim como quem escuta o ''cuco'' inconveniente de um antigo relógio, pendurado numa parede de galhos, molhada pela noite fria, pois orvalho não existe nem quando choro com dó de mim.
Quando a Poesia me abandona a solidão é tanta que perco o sorriso e a Vida se torna um fardo tão pesado, tão pesado que não há reza, com ramo de arruda e água benta, que dê jeito. - Como dói um abandono desses e sem nenhuma explicação!

Mas, de repente,''não mais que de repente'', ela volta sorrindo para mim, através do sorriso inocente e belo da minha filha, como se nunca tivesse ido embora. Então volto a me encantar com o Coral dos Passarinhos, toda orgulhosa de ver o Mar deixar de ser espelho da majestosa e vaidosa Lua para receber, todo feliz, os Raios de Sol, da Aurora que, acalenta o Dia recém-nascido, que não chora, apenas boceja preguiçoso... - O batizo de Soneto.


**********

Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor. 

Código do texto: T6468919 
Classificação de conteúdo: seguro

DIA SEDUTOR





DIA SEDUTOR
Ysolda Cabral



O Dia com sua beleza e sedução,
sem querer, me envolve e arrebata.
Percorrendo um mundo de intenção,
deixo-me levar de maneira pacata...

Com a cumplicidade de uma canção,
tocada pelo Vento, sou pura cascata
a cair em Rio de turbulenta emoção,
deixando que a saudade me bata...

Um Dia assim tão inconsequente,
que não teme nem a Noite chegar,
melhor esquecê-lo definitivamente.

Preciso o meu coração sossegar,
não dar trela para Dia frio ou quente.
Sei que novos Tempos hão de chegar.


(Apenas Ysolda)

Código do texto: T6466574 
Classificação de conteúdo: seguro