quinta-feira, 30 de março de 2017

ENCONTRO


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ENCONTRO
Ysolda Cabral


Do desencontro no Tempo, 
o encontro suave na Poesia,
trazendo do amor todo alento,
que afasta da solidão a agonia.


**********

Praia de Candeias-PE
Apenas Ysolda
29.03.2017
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade, sem pudor.

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terça-feira, 28 de março de 2017

MINHA SOMBRA



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MINHA SOMBRA
Ysolda Cabral


Sem uma plausível razão, 
vejo tudo preto no branco...
A tristeza é tanta que a solidão
me convida para dançar tango.

Paro e penso... E porque não?
Se não há música, eu canto!
E o canto vem com emoção,
cantando o meu desencanto.

Logo me recolho acanhada
à minha total insignificância.
Sobra sombra admirada

na parede fria e alaranjada,
comemorando a extravagância, 
se descabelando de dar risada.

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Praia de Candeias-PE
Em 27.03.2017
Apenas Ysolda



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DECLARAÇÃO DE AMOR



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DECLARAÇÃO DE AMOR
Ysolda Cabral


Amo tanto amar o Mar!
Ele me faz navegar,
Em mares de Poesia...

Toda noite e todo dia,
Com tristeza ou alegria,
Ele me faz viver a sonhar.

E enquanto a Vida se renova,
Vou cantando a minha lira, 
Com simplicidade na prosa.

*****
Praia de Candeias-PE
14.01.2017
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor.


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SOU ÍMÃ PODEROSO


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SOU ÍMÃ PODEROSO 
Ysolda Cabral




Eu, para gente espaçosa, sou que nem chão para biliros. Se prendo o cabelo com cinco ou seis; uns dez, ou doze, já foram parar no chão há muito tempo. Dali, terminam indo para o lixo, porque ninguém quer se dar ao trabalho de apanhá-los. Vivo comprando caixas e caixas. - É impressionante! Mas, tudo bem. Não ligo!

O problema mesmo é o ímã que sou para pessoas espaçosas, mal-educadas, e que só pensam nelas mesmas. Essas, a gente não pode varrer do ''chão'' da Terra. Podemos sepultá-las, ou cremá-las se possuírem recursos. Normalmente não possuem, e vivem anos e anos, invadindo espaços que não lhes pertencem, a atanazar a vida dos outros.

Não incomodo ninguém. Mas, como sou incomodada! Chego ao cúmulo de andar descalça, dentro do meu apartamento, somente para não incomodar os vizinhos do andar debaixo. - Tanto eu, como a minha filha, agimos assim. Porém, não tem jeito, não! - Como as pessoas adoram perturbar, irritar, tirar o sossego!... É som alto demais, idem para as conversas; entram e saem e não fecham os portões de suas garagens; usam martelo e furadeira a toda hora, queimam lixo sem nenhuma necessidade... Enfim, não respeitam nada e nem ninguém. E é por aí que começa o martírio, o sofrimento daqueles que não são assim.

Quando resolvo fazer o translado, casa / trabalho / casa, de ônibus, sou ímã poderoso! - Pois não é que me sento observando os limites do meu assento, e a outra pessoa entende que estou lhe dando mais espaço para se espalhar no dela e invadir ainda mais o meu, obrigando-me a ficar totalmente espremida! Se eu estiver junto a janela, vejo a hora cair no meio do trânsito, e aí ''adeus'' Ysolda, pra valer mesmo! Agora, se eu estiver no lado de dentro, (lado do corredor), aí sou apertada dos dois lados. Se eu cair, sou, literalmente, pisoteada. Se, num ônibus opcional (com ar-condicionado), isso é ruim, imaginem num ônibus comum! 

- Hoje teve forra! Revanche para valer!...

Mal sentei, junto a janela, chegou uma excelentíssima ''senhora,'' e se espalhou como quis e bem entendeu. Encarei e me espalhei, também. - E, segurei pra valer! Ela, então, se superou, ''sacando'' o celular, e apoiou o cotovelo bem nas minhas costelas. - Aguentei firme! Sou forte, sou fera, sou Ysolda!... E, comecei a cantar baixinho, - somente para ela escutar - , porém fazendo um leve acompanhamento com os pés; aquela canção que diz assim: '' Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam, incomodam muito mais,...'' - E, ela não aliviou a pressão!

Cheguei à minha parada com as costelas doendo horrores, os pés cansados, e na cabeça uma manada de elefantes... - Estava, literalmente, exausta!

Mas, porém, contudo e todavia, fui recompensada quando ela odiou ter que se levantar para me dar passagem. - E que ódio mortal!

- Ô coisa bem empregada! 

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Praia de Candeias - PE
De Peito, Costa e Costelas Lavadas 
24.03.2017
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade, sem pudor. 

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CONCERTOS DO AMANHECER


Praia de Candeias - Foto de Yauanna Cabral Cavalcanti



CONCERTOS DO AMANHECER 
Ysolda Cabral 



Hoje, nem havia clareado, quando acordei. Permaneci na cama bem quietinha, mas ansiosa a espera do concerto dos passarinhos, para poder me levantar e aplaudir o maravilhoso espetáculo do amanhecer, agradecer e começar o meu dia.

Logo, uma tênue penumbra, acariciou a janela do meu quarto, e escutei os primeiros acordes da introdução, advindos das ondas do Mar, para que o meu coral preferido começasse a apresentação em tom maior. - E não é que começou, no primeiro Raio de Sol que, se levantou, preguiçosamente, na linha do horizonte! - Como é lindo o musical do amanhecer em Candeias! 

Contudo, penso que a minha missão por aqui está completa e até já passou a hora de voltar, com minha filha, a residir novamente mais perto da nossa família. Mas, fico protelando, protelando, e aqui estamos há quase quatro anos, quando a pretensão era passar apenas um. - É difícil me separar desse pedacinho do Céu, que adora se fingir de continuação do Mar, para me confundir. - Tudo por conta de ciúme! Ciúme infundado, naturalmente.

Mas, o fato é que, ando a vislumbrar que o dia da volta está próximo. Até porque o concerto dos passarinhos, anda sendo abafado pelo enlouquecedor ''concerto'' do trânsito, que não tem conserto, beleza e/ou poesia, e que nos impõe apresentações de, praticamente, vinte e quatro horas, diariamente, sem parar. - Isto sem falar nas queimadas de lixo que as pessoas fazem por aqui, como se aqui não houvesse coleta de lixo. - Pois há! Inclusive, eficientíssima. - Tem cristão que aguente?! 

Concluo que, o ''progresso'' de Candeias, depois de Suape, me leva de regresso à bela Praia de Boa Viagem, e ao castigo de minhas crônicas prosas, começarem poéticas, para terminarem numa completa mediocridade.

- Que decadência! 


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Praia de Candeias-PE
22.03.2017
Apenas Ysolda 
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor. 


Código do texto: T5948793 
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terça-feira, 21 de março de 2017

CHAMA DO AMOR



Imagem Google 


CHAMA DO AMOR
Ysolda Cabral


Com a chama do amor
Sobrevivo
Calo o grito
Sufoco a dor

Com a chama do amor
Fico leve
Sou alegre
Mesmo que de maneira breve

Com a chama do amor
Amanheço
Anoiteço
Envelheço

Sem a chama do amor
Não existe poema
Não existe canção
Pára o meu coração

Sem a chama do amor
Não sei quem sou
Não sei onde estou
Não sei para onde vou

Sem a chama do amor
Desapareço
Entristeço
Morro de solidão e de dor.

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Em reedição
Apenas Ysolda
20.03.2017 


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domingo, 19 de março de 2017

A GOIABEIRA DA TIA OLGA





(Imagem do Google)

A GOIABEIRA DA TIA OLGA 
Ysolda Cabral 



Contava a idade de seis anos e enlouquecia mamãe com minhas peraltices. Não queria saber de estudar, por acreditar que isso podia ficar para depois. Eu só queria saber de brincar de boneca, brincar de correr, brincar de pega-pega, de esconde-esconde...

A Goiabeira, da casa de minha tia Olga, era o meu esconderijo preferido, pois além de ser uma árvore acolhedora, de galhos fortes, longos e frondosos, sabia me escutar como ninguém. Era a minha melhor amiga, além de conselheira e protetora dos castigos de mamãe, quando eu fazia por merecer. Nessas ocasiões, ela resistia até aos carinhos do Vento, sem se mexer, para não revelar minha presença ali! - Ah, que amiga mais querida!

Com ela eu passava horas e horas. Fome eu não sentia! Seus frutos eram deliciosos e davam praticamente o ano todo. Mas, como nem tudo é perfeito, certa ocasião, ao fugir do castigo de mamãe, corri até ela e não percebi que os seus novos filhos, digo galhos, já um pouco crescidos, não gostavam da minha presença, eu acho. Então, quando pisei no primeiro galhinho que encontrei na subida, agarrada no tronco da mãe Goiabeira, um deles fez questão de envergar e fui, literalmente, ao chão! Quebrei a perna esquerda e tive que passar dois ou três meses com ela engessada. Sem falar que o meu esconderijo havia sido revelado a todos da redondeza.


Praia de Candeias-PE
16.03.2017
Apenas Ysolda 
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor.