domingo, 26 de outubro de 2014

O MAR A SORRIR ONDAS ( PROSA POÉTICA)




O MAR A SORRIR ONDAS
Ysolda Cabral



O dia amanheceu lindo, lindo! Raios de Sol a entrarem pelas frestas das janelas, pelas vidraças iluminando e aquecendo tudo. Juntamente com os passarinhos, os Raios de Sol me tiraram da cama cedinho, cedinho. Abri os braços para acolher a Vida e por Ela agradecer. Foi assim que o meu dia hoje amanheceu.

Logo o tempo fechou, o azul sumiu, o amarelo acinzentou, o silêncio dos pássaros se ouviu e sobre toda a região a chuva caiu. Caiu bonita, majestosa, cheirosa, maravilhosa!... Respirei fundo sentindo o cheiro da terra molhada e de alma lavada, alva, pura e aquietada pela consciência de ser, novamente dei Graças, dançando no ritmo da bela canção, chuviscada pela percussão dos pingos de águas plácidas e cristalinas, advindas do Céu. - Verdadeiras águas bentas.

Amo a chuva e amo o Mar que quietinho de lá me observava meio enciumado... – Que bobo!

Feliz lhe mandei um beijo e ele me sorriu ondas... 

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Praia de Candeias-PE
Em 22/10/2014
4a.Feira

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Publicada no Recanto das Letras
Em 22/10/2014
Código do texto: T5007905 
Classificação de conteúdo: seguro

MINHA POESIA




MINHA ''POESIA'' 
Ysolda Cabral 


Minha ''poesia'' é uma coisa à toa,
sem eira e nem beira...
De tão vagabunda é solta,
capenga e troncha.
Perdida nos caminhos da minha alma
sempre tão indócil. 
Alma que teima em querer sair de mim
antes da hora.
É preciso então que se cale para sempre. 
Quem sabe assim possamos ir juntas até o fim
do fim que tivermos de ter...

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Praia de Candeias-PE
em ondas de reedição
em homenagem ao dia do poeta e despedida.

Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem nenhum pudor.


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Publicada no Recanto das Letras
Em 20/10/2014
Código do texto: T5005165 
Classificação de conteúdo: seguro

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

CANTO EM ÁRIA



CANTO EM ÁRIA
Ysolda Cabral


Canto triste em desencanto,
de desafinado e lúgubre canto,
no tênue espaço alquebrado,
eu canto, em ária, o meu pranto.

Do nada recolho sons e versos.
E se deles faltarem pedaços,
dedilho acordes reversos,
com desapego e sem laços.

Verso o impossível a sério,
do que trago no avesso de mim,
há muitos e muitos séculos.

Viver eu vivo, mas não nego
que melhor seria chegar ao fim,
desde que, sem você, viver não quero.

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Praia de Candeias-PE
Agonizando em pleno verão
15/10/2014

Para ouvir a música, acesse:



Publicada no Recanto das Letras 
Em 15/10/2014
Código do texto: T5000230 
Classificação de conteúdo: seguro

VOU EMBORA PRA XAMBÁ ( CRÔNICA)




VOU EMBORA PRA XAMBÁ
Ysolda Cabral


O dia está lindo, mesmo tendo amanhecido um tantinho nublado. Saí para trabalhar por volta das seis e vinte da manhã. Peguei o opcional e cochilei, em meio a perfumes e silêncio, até alcançarmos a Agamenon Magalhães, à altura do Hospital Real Português, quando, ainda sonolenta, fui à procura de outra condução para completar o trajeto casa/trabalho.

Na parada, tudo me pareceu alegre e divertido. Acordei! De um lado da avenida, uma calçada tomada por vendedores de fones de ouvido, capinhas de celulares e sobrinhas para todos os gostos e idade. Do outro, vendedores de tapiocas, bolos, frutas de várias espécies, que me atraíram por demais... Senti fome, mas me segurei desviando o olhar para os pés de acácias, ainda sem elas, e para os passarinhos saltitantes e cantores que, infelizmente, ninguém escutar mais podia, por conta dos sons da manhã de uma grande e bela capital.

Como a cidade do Recife é linda e cheia de vida! De repente me deu uma vontade enorme de sair a passear por lugares que ainda não conheço, apesar de morar aqui há longo tempo. Chamei-me a atenção para as responsabilidades de agora e esquecer, de vez, possibilidades admitidas apenas na juventude, quando, no máximo, me permitia gazear aula para assistir o namorado jogar vôlei na quadra do Comércio Futebol Clube de Caruaru, minha terra natal, correndo o risco, inclusive, de ficar de castigo, caso alguém fosse contar o feito ao meu pai.

Mas o fato é que o dia me tentava e foi difícil me conter. Sorri e me concentrei nos ônibus que poderiam me atender no tanto que faltava para chegar ao meu destino, quando me dei admirando um lindo coletivo de cor verde - o verde da esperança -, onde se lia: XAMBÁ!

- Que nome lindo! Fantástico! - falei, fascinada, para mim mesma.

Fiquei verdadeiramente encantada e com vontade de saber que lugar era aquele que fazia todo mundo querer ir para lá. E gente de todas as idades e classes sociais! Mais que depressa disputei um lugar na fila e entrei. Eu queria ir pra Xambá de qualquer jeito ou, pelo menos, desfrutar daquele itinerário desconhecido, alegre e convidativo, nem que fosse só por um pouquinho.

Tive que gritar para o motorista escutar o meu bom dia e me responder se o ônibus iria percorrer toda a avenida Agamenon. Apressado, ele respondeu que sim e eu sorri contente da vida!

Um moço bonito, que acompanhava o motorista na batucada da cantoria que cantavam, fazendo coro com o pagode da rádio FM, cedeu-me o lugar, gentilmente. E depois que o ônibus estava devidamente super, hiper lotado - afinal, todos queriam ir pra Xambá -, seguimos viagem.

O pagode me animou mais um pouquinho e, de repente, me vi fazendo parte da percussão com as fivelas de minha bolsa. Como ir para Xambá era animado!

Pena que chegou a minha parada e tive que deixar o coletivo seguir viagem sem a minha pessoa...Que tristeza me deu!

Jurando um dia seguir em frente, cheguei ao meu destino e fui logo perguntando para o segurança se sabia onde ficava Xambá:

- Xambá é o nome de um terminal Integrado, e fica em Olinda, minha senhora! - respondeu-me, meio abusado.

Não sei se fiquei triste com o abuso dele, se pelo "minha senhora", ou se por Xambá não ser um lugar exatamente tipo cidade, bairro, vila, reino, paraíso, estância encantada...

Contudo, depois de muita reflexão, chego à conclusão que Xambá é tudo isso, desde que pode nos levar a muitos lugares e possibilidades...

Minha alegria voltou!

Um dia vou embora pra Xambá - mesmo que lá não tenha rei e nenhum amigo meu. De lá, só Deus sabe que rumo vou tomar...

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E, com a licença do Manoel Bandeira,
e dos Los Borrachos Enamorados...




VOU EMBORA PRA XAMBÁ
VOU SIM, QUERO SIM
Ysolda Cabral


Vou embora pra Xambá!
Lá não tem rei; e eu nenhum amigo.
Mas terei mesa, cama e banho,
Muito aconchego e abrigo.

Vou embora pra Xambá!
Eu vou sim, quero sim , posso sim,
e ninguém vai mandar em mim.
Eu vou sim, quero sim!

Vou embora pra Xambá!
Aqui não sou nada não.
Sou uma pobre infeliz,
sofrendo do coração...

Vou embora pra Xambá!
Lá vou ter tudo o que eu quis.
Menos academia de ginástica,
que me faz cansada, dolorida e infeliz...

Mas vou andar de bicicleta!
Nada de burro brabo
e nem de pau-de sebo...
Eu quero andar é de barco,
e ter muito aconchego.

Vou embora pra Xambá!
Vou tomar banho de mar
e, quando me cansar,
descansarei no casario.

E quando o vento for frio,
com um cobertor de orelha
dormirei a noite inteira,
até que o frio me esqueça.

Vou embora pra Xambá!
Lá não tem telefonia.
A comunicação é feita por telepatia,
sinalizando sentimentos.
E tudo é só amor, bom humor e alegria!

Vou embora pra Xambá!
E quando estiver triste e sozinha,
vou me lembrar desta cidade
que nunca me quis de verdade,
mandando àquele lugar
a mãe e até a vovozinha...

Vou embora pra Xambá!.

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Praia de Candeias - PE
Em conjecturas...
Será que Xambá só tem chambaril?
08.10.2014 - 4a. Feira


Para ouvir a música, acesse:


Publicada no Recanto das Letras 
Em 08/10/2014
Código do texto: T4992030 
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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

ABC DA VIDA - POR DESAFIO DO POETA MOACIR RODRIGUES


Aceitando o desafio do poeta recantista,
Moacir Rodrigues,
Link:  http://www.recantodasletras.com.br/poesias/4981771 
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MEU ABC DA VIDA 
Ysolda Cabral


Apesar de estar triste,
Bem triste, mesmo sem razão plausível,
Curiosamente em câmara lenta,
Desanimada, chorosa, saudosa
E fragilizada; é impossível
Ficar sem lhe dar uma resposta:

Gostaria de, primeiramente, lhe dizer:
Hoje, apesar do dia lindo,
Ideal para passear, veja você;
Juro que não me animo nem para 
Kizomba e nem para Tarraxinha! 

Levemente enfastiada, eu
Merecia ficar quieta em casa.

Nada tenho de proveitoso pra falar e
Ou, uma poesia pra declamar!
Posso apenas dizer
Que, mesmo assim a vida vale a pena!
Realidade, por vezes, machuca, mas
Suavemente, sara e se

Tudo está fora de lugar no
Urbanismo do meu ser;
Valorar a tristeza não convém!

Well ! Eu estou bem!
Xis para a questão é dizer à tristeza não!
Ysolda Cabral! Preste atenção: (Me digo)

Zere as tristezas e dê vivas à emoção!


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Praia de Candeias-PE
Por desafio da Praia de Boa Viagem
Em 30.09.2014 

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Publicada no Recanto das Letras 
Em 30/09/2014
Código do texto: T4982027 
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Comentário do poeta deixado em minha Escrivaninha do RL:


30/09/2014 15:41 - Moacir Rodrigues

Meu Deus! Quanta capacidade de raciocínio, quanta beleza poética surgiu em tão pouco tempo! Está de parabéns, o trabalho escrito está maravilhoso, o desafio foi cumprido e eu agradeço pela sua prestimosa atenção em atender ao meu apelo. Diante disso vejo que é uma pessoa iluminada, que sabe valorizar as pessoas mesmo sem conhecê-las a fundo. Meu muito obrigado mais uma vez pela sua dedicação, poetisa e escritora Ysolda Cabral.

NÃO SEI O QUE SOU - YSOLDA CABRAL E ANGÉLICA GOUVEA





NÃO SEI O QUE SOU

Ysolda Cabral


Não sou escritora,
não sou poetisa,
nem pra comedia eu dou!
Afinal o que é que sou?

Estou em xeque comigo!
Descarto-me e por aqui eu paro.
Continuar não mais consigo.
Nem sei mais o que digo!

O entendimento de mim se espatifou!
O meu imaginário me enganou, aniquilou...
Esperar um novo dia? Não é preciso. 
Desconfio que nem mais existo!

Agora tudo bem definido,
vou averiguar o que sinto,
pra não estar mais labirinto
e descobrir o que sou...

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Praia de Candeias-PE
No Por do Sol
29.09.2014 ( 2a. Feira)

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Publicada no Recanto das Letras 
Em 29/09/2014
Código do texto: T4981206 


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Um lindo e delicado presente poesia da talentosa amiga Angelica Gouvea, que recebi e  faço questão de publicar também aqui com muita alegria e me sentindo muito honrada!  Obrigada, Angélica!


A CARA É MESMO MINHA




A CARA É MESMO MINHA
Ysolda Cabral



Usando os recursos vocais do Vento,
o Tempo caminha cantando contente,
marcando sem pena a cara da gente.
Há quem não goste e se ressente! 

Não estou nem aí, eu dizia!
Achava que ele jamais me afetaria.
Até que o espelho me mostrou,
uma cara que eu não tinha.

Resolvi apelar para fotografia!
E tirei uma, tirei duas e tirei muitas.
Em todas a cara esquisita lá estava.
E agora o que eu faria?

Chorei e a cara entortou, distorceu!
Ficou tão feia que a sorrir se deu.
E foi sorrindo que reconheci:
Pois não era mesmo eu! 

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Praia de Candeias-PE
Em noite de reconhecimento
28.09.2014 

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Publicada no Recanto das Letras
Em 28/09/2014
Código do texto: T4980129 
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