terça-feira, 27 de novembro de 2018

ETERNIZANDO UM MOMENTO


YAUANNA - FOTO YSOLDA 



ETERNIZANDO UM MOMENTO
Ysolda Cabral 



Amanheceu nublado e mesmo assim lindo, lindo. Saímos de casa, eu e a minha filha, por volta das seis e pouquinho. De repente o Céu desabou sobre nós e a Chuva veio forte fazendo o Dia anoitecer. Faróis acesos e atenção redobrada na rodovia, mesmo assim, arrisquei um olhar de soslaio para o Mar... Ele, com cara de poucos amigos, fechado com o Tempo, fingiu me ignorar. Sorri, apenas sorri e segui respirando o doce aroma que vinha da Terra molhada de Chuva. Em paz, pensei onde estaria Deus... - Estaria Ele no Céu, ou no Mar? E, de dentro do meu coração, escutei uma Voz a me dizer: Estou em todo lugar bem aqui no seu coração. O Dia clareou e o Mar me sorriu em ondas plácidas, enquanto o Vento, gentilmente, penteava os cabelos da minha filha para que eu pudesse eternizar o momento da mais pura beleza e amor, através de uma fotografia.

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Marco Zero
Recife,16.10.18
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor. 

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BATIZANDO O DIA



IMAGEM GOOGLE 



BATIZANDO O DIA
Ysolda Cabral



Quando a Poesia me abandona me sinto só, extremamente só. Não sei como isso acontece. Mesmo sabendo que ela circula por perto em algum lugar a me espreitar, desafiar, desatinar... Talvez faça isso para saber como eu consigo viver sem ela. E o vazio se faz de forma tão intensa, tão intensa que o Mar não passa de plano de fundo na minha janela; o Sol, se torna um holofote poderoso no meio de um estádio fantasma, em desuso, e quanto a Lua, tadinha dela, tão linda na imensidão do Céu a me lembrar uma velha alcoviteira, cansada da luta a perambular trôpega, a mercê de jovens e caprichosas nuvens.

Ah! E quando amanhece, o canto dos passarinhos eu não escuto como o mais belo Concerto Matinal e sim como quem escuta o ''cuco'' inconveniente de um antigo relógio, pendurado numa parede de galhos, molhada pela noite fria, pois orvalho não existe nem quando choro com dó de mim.
Quando a Poesia me abandona a solidão é tanta que perco o sorriso e a Vida se torna um fardo tão pesado, tão pesado que não há reza, com ramo de arruda e água benta, que dê jeito. - Como dói um abandono desses e sem nenhuma explicação!

Mas, de repente,''não mais que de repente'', ela volta sorrindo para mim, através do sorriso inocente e belo da minha filha, como se nunca tivesse ido embora. Então volto a me encantar com o Coral dos Passarinhos, toda orgulhosa de ver o Mar deixar de ser espelho da majestosa e vaidosa Lua para receber, todo feliz, os Raios de Sol, da Aurora que, acalenta o Dia recém-nascido, que não chora, apenas boceja preguiçoso... - O batizo de Soneto.


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Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor. 

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DIA SEDUTOR





DIA SEDUTOR
Ysolda Cabral



O Dia com sua beleza e sedução,
sem querer, me envolve e arrebata.
Percorrendo um mundo de intenção,
deixo-me levar de maneira pacata...

Com a cumplicidade de uma canção,
tocada pelo Vento, sou pura cascata
a cair em Rio de turbulenta emoção,
deixando que a saudade me bata...

Um Dia assim tão inconsequente,
que não teme nem a Noite chegar,
melhor esquecê-lo definitivamente.

Preciso o meu coração sossegar,
não dar trela para Dia frio ou quente.
Sei que novos Tempos hão de chegar.


(Apenas Ysolda)

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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

TRILHOS DO TEMPO



Imagem coletada no Google  posto que, 
infelizmente, não foi possível o acesso a foto que inspirou este arremedo de soneto. :( 


TRILHOS DO TEMPO
Ysolda Cabral 



Pelos trilhos o Tempo trilha,
eterno na Tarde indolente,
sob o olhar atento que brilha,
e fotografa mui discretamente... 

Eu, apenas simples andarilha, 
talvez do passado,ou do presente,
a imaginar, da fotografia, a maravilha
de perpetuar através de uma lente...

Penso naqueles que partiram,
e que trilharam a mesma trilha   
certos da direção e desistiram. 

Quão inúteis são as sapatilhas!...
Assim, descalça, sigo os que resistiram.
Ah, Linha Férrea! Quem não descarrila?

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Recife Antigo
23.08.2018
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade, sem pudor.

  

quarta-feira, 13 de junho de 2018

UM SONETO NO CORETO

A imagem pode conter: árvore, planta e atividades ao ar livre


Imagem coletada no Google 


UM SONETO NO CORETO
Ysolda Cabral



Queria saber compor um Soneto,
que falasse do amor verdadeiro.
Compondo cada verso sem medo
dele ficar doce que nem brigadeiro.

Não poderia ser destinado a dueto,
por mais que ficasse leve, maneiro!
Mas, poderia ser exposto em Coreto,
para os enamorados o lerem por inteiro.

E, quando isso acontecesse, o Sorriso 
os convidasse ao beijo apaixonado.
Sabe, aquele que leva ao Paraíso!

Ah! E, se, o Sol ficasse enciumado,
e a Lua serena, mas de sobreaviso;
eu, feliz, lembraria o meu amado.

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Praia de Candeias-PE
12.06.2018
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria, 
tristeza, ou saudade, sem pudor.



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VENDO A VIDA ACABAR

A imagem pode conter: pássaro

Imagem coletada no Google 



VENDO A VIDA ACABAR
Ysolda Cabral



Cadê os beija-flores galantes, 
e as lindas borboletas coloridas? 
Cadê os passarinhos dantes, 
que cantavam canções tão bonitas?

Cadê as Sereias sempre elegantes,
do Mar de Candeias, nem tão amigas? 
E os fortes e destemidos navegantes,
que a gente só vê frágeis salva-vidas?

Não há mais aquelas flores no caminho, 
agora é proibido tomar banho de Mar,
e, como tubarão nada tem de peixinho;

fico aqui muito consternada a pensar,
dentro do meu confortável mundinho,
o quanto é triste ver a Vida acabar!...

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Praia de Candeias-PE
10.06.2018
Apenas Ysolda
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade, sem pudor.

SÃO JOÃO DE MINHA ÉPOCA



A imagem pode conter: planta, flor, atividades ao ar livre e natureza


IMAGEM COLETADA DO GOOGLE 



SÃO JOÃO DE MINHA ÉPOCA
Ysolda Cabral



Hoje me peguei pensando no São João de minha época, na minha amada Caruaru e senti tanta saudade! - Aquele sim era São João de verdade! Os festejos eram organizados com simplicidade e com recursos mínimos. Com jornais velhos, fazíamos lindos balões e com as páginas de revistas coloridas, ou de pedacinhos de tecidos, a gente fazia as bandeirolas e tudo ficava muito bonito e enfeitado. Para vestir, bastava um vestido de chita, bem matuto, de saia rodada, estampado. Para calçar, sandálias ou mesmo um tamanco comprado na feira e já estava tudo pronto para dançarmos a quadrilha, ensaiada muitas e muitas vezes para que não houvesse nenhum passo errado ou desigual - os ensaios eram alegres e muito, muito divertidos. Quanto aos rapazes; eles vestiam calças coronhas, com remendos, camisas quadriculadas, e, para calçar; alpercatas. Para completar a caracterização, não podia faltar o chapéu de palha, claro. A culinária ficava por conta de nossas famílias que garantiam pamonha, canjica, pé de moleque e muitas coisas mais feitas de milho, ou não. Até no preparo das comidas havia alguma coisa mágica, especial. Creio que era a união... Assim o São João era comemorado com muita alegria e muita graça. - Eu só não gostava muito dos fogos de artifício - tinha medo deles. Quando as sanfonas, triângulos e zabumbas silenciavam, e as fogueiras chegavam ao estado de apenas brasa, era a hora de sentarmos em volta delas para assar o milho e conversar sobre o próximo São João, mesmo sabendo que muitos de nós já não estaria mais ali... E assim fomos indo embora de nossa terra natal e o São João se vestiu de sofisticação, de grandiosidade e foi perdendo muito da sua pureza, simplicidade e originalidade, pelo menos para mim.


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Praia de Candeias-PE
07.06.2018
Apenas matuta