sábado, 28 de novembro de 2015

SÁBADO NO MORRO DA CONCEIÇÃO





SÁBADO NO MORRO DA CONCEIÇÃO
Ysolda Cabral



Os pássaros me acordaram na hora de todos os dias, com seu canto alegre e cheio de vida. Deixei-me ficar na cama, sem pressa alguma de levantar. Terminei por dormir novamente, assim que o coral levantou vôo e foi cantar noutro lugar.

Por volta das nove horas, acordei e, não sei se em sonho ou realidade, me vi a viver uma situação inusitada, entre a extrema alegria e a extrema tristeza. Ambas a se confrontarem de maneira nunca sentida, percebida, vivenciada... Sorri, chorei, agradeci e levantei.

Levantei determinada a esquecer todas as tarefas do sábado para ir ter com Nossa Senhora da Conceição, lá no Morro da Conceição, no bairro de Casa Amarela, onde estive tantas vezes em momentos de tristeza, de desespero, de muita dor e também de alegria para agradecer por graças alcançadas, recebidas...

Depois que mamãe se foi, passei a ir sozinha até o Morro, mas hoje chamei minha filha que, sem questionar absolutamente nada, concordou, de pronto, a me acompanhar.

Chegamos lá quase meio dia, e, sob um Sol extremamente forte e um Céu azul, sem nuvens, lá estava Ela mais linda que nunca! – Como senti paz, fé e confiança!

Sei perfeitamente se tratar de uma imagem, uma bela imagem, mas o fato é que algo de inexplicável a gente sente aos seus pés. Algo que renova nossas esperanças e alivia nossas dores. Algo que nos acalma e nos torna mais fortes para enfrentar as dificuldades que chegam sem avisar. Algo que nos ensina que, através da fé, podemos superar tudo e a esperança é quase palpável. 

No momento em que chegamos estava sendo rezada uma missa e foi muito bom rezar junto com os fiéis ali presentes, tendo no vitral, a nossa frente, à visão da Mãe de Deus, entre o Céu e nós, em nossas orações meio atordoadas, confusas, carentes de esclarecimento, Luz, esperança, cura e renovação...

Saímos dali confiantes de que a Vida é muito mais do que aquilo que entendemos dela e que nada, absolutamente nada, acontece por acaso. - Deus está no comando e é preciso que confiemos Nele para que tudo seja feito de acordo com a Sua Vontade e da melhor forma possível.

Despedimo-nos de Sua Mãe convictas de que, logo estaremos de volta, desta feita para agradecer por mais bênçãos recebidas. - Recebidas pela Sua intercessão, por nós, junto ao Seu Filho Jesus.



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Do Morro da Conceição
Em 28.11.2015
A poucos dias do Natal
Yauanna e Ysolda


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LUA CHEIA

E o final de semana começa com uma Lua
escandalosamente linda no Céu de Candeias.
A noite promete!... E por falar em Lua...




LUA CHEIA
Ysolda Cabral


Minha Vida é arte pura!...
Arte de enganar a tristeza,
quando no Céu está cheia a Lua.
Solidão não combina com beleza!


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Inspirada na poesia '' CRÍTICAS''
do talentoso poeta recantista,

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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ÚLTIMO CANTO DA CIGARRA





ÚLTIMO CANTO DA CIGARRA
Ysolda Cabral


Sonolenta, escuto um canto! Canto que não identifico e que não me deixa cochilar, - ainda bem, pois estou em pleno horário de trabalho. A minha frente, um novo colega chama minha atenção pelo semblante jovem, bonito, extremamente calmo, e pelo seu brilho natural, nada ofuscado pelo brilho do seu brinco.

Pela belíssima cor da sua pele e pela serenidade do seu porte, o imagino nascido na Bahia de Todos os Santos.

O sono passa, aguço os sentidos e o observo, enquanto escuto o canto que, ora canta e silencia me fazendo alegre e triste a cada instante, a me lembrar da primeira vez que fui a Bahia.

Na época eu estava tão apaixonada que, a cidade do São Salvador, me pareceu um conto, quase de fadas já conhecido, antecipadamente, nos livros de Jorge Amado. Eu me sentia a própria dona Flor, mas apenas com um marido. Na realidade, um noivo, que viria a ser o meu marido e pai de minha filha, pouco tempo depois.

- Ah, a Bahia tem um jeito!...
Pois é! Um jeito, um cheiro que ninguém esquece...

E, continuei escutando o canto, para mim desconhecido, ou não lembrado, atenta as feições do meu colega. De repente peço autorização para lhe fotografar, nem sabia a razão daquele pedido. Creio que senti precisar registrar aquele momento de reflexão e lembranças, quase esquecidas, mas antigas lembranças bonitas...

O fotografo e guardo comigo o momento de reflexão feita numa fração de segundo, ou de um clic, e observo-lhe:

- Jefferson, que canto mais bonito!
Você está ouvindo?
- Estou sim!
É o canto da cigarra indo embora...
- Indo embora para onde? Pergunto temerosa.
E ele calmamente me responde: 
- Indo embora desta Vida.

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Crea-PE
Em 26.11.2015
5ª. Feira

*Dedico esta crônica ao colega de trabalho, Jefferson Leonardo, cearense de nascimento, pernambucano e baiano de coração, que me levou a escrevê-la, num momento de muita emoção. 

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INTEIRA, LEVE E SOLTA



INTEIRA, LEVE E SOLTA
Ysolda Cabral


Ontem, em algum momento,
o Tempo, no seu caminhar parou.
Não se percebia movimento,
até porque não existia Vento.
E o silêncio se firmou...

Olhando no espelho,
perscrutei a minha alma,
supostamente dentro do meu corpo,
perguntando com muita calma:
de quem é esse rosto?...

Ele, serenamente me sorriu,
como quem diz: deixa de ser boba!
E me respondeu com gosto:
você, apenas se partiu!...
Acordei inteira, leve e solta.

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Praia de Candeias-PE
No azul amanhecer de 5a.Feira
Em 26.11.2015


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domingo, 22 de novembro de 2015

ENTARDECER DE DOMINGO




ENTARDECER DE DOMINGO
Ysolda Cabral



Falando e escrevendo bobagens,
vou compondo a minha lira,
sem objetivo e sem muito sentido,
muitas vezes me expondo ao ridículo.

Por vezes penso em parar de vez...
Quem sabe amanhã ou depois, talvez
eu pare e não escreva nem uma linha mais;
mesmo sabendo que vou sofrer demais.

Contudo, desde quando não sofri?
Em que momento fui completamente feliz?
Ah, o entardecer do domingo,
sempre me deixa triste e infeliz!

Sei que não estou só neste momento!
Sinto que algo ou alguém está comigo...
Mas, olho ao meu redor e não vejo ninguém,
a não ser a vontade do silêncio que me vem.

Olho para os Céus, ainda sem Estrelas,
com uma Lua que me espreita,
a espera de algo que faça sentido...
Eu paro, penso um bocado e nada digo. 

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Praia de Candeias-PE
Em 22.11.2015

Para escutar a música de fundo, acesse:

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ENCONTROS INEXPLICÁVEIS



ENCONTROS INEXPLICÁVEIS 
Ysolda Cabral 



O dia amanheceu hoje, em mim, na paz do silêncio da minha benfazeja solidão. O dia, eu, os pássaros, o Mar e Deus. Nem tanta solidão assim, a bem da verdade!... Lembrei de uma indicação de leitura que recebi e resolvi começar o meu dia por aí.

''O PARAPEITO DA PONTE'', do talentoso poeta escritor, Marco Rocca, conto que fala de um encontro, entre dois desconhecidos, que se abrigam da chuva repentina no parapeito de uma ponte qualquer e do que conversam. A narrativa prende a atenção do leitor do começo ao fim. Quando terminei, com gosto de quero mais, lembrei de um fato acontecido comigo recentemente e fiquei a refletir como a vida é, no mínimo, curiosa!No último dia nove, segunda-feira, fui até a área de lazer do prédio em que moro, para regar as plantas, e ao abrir o portão, por pouco, não pisei num pombo que, quase morto, ali se encontrava. 

Pedindo que se afastasse para que eu pudesse passar, ele se arrastou para um cantinho. Foi quando percebi que estava com uma patinha machucada e as suas asas haviam sido cortadas. 

Senti-me muito mal e desorientada, e, sem saber o que fazer, deixei-o ali, ignorando os avisos do quanto pombo é transmissor de doenças e etc. e tal.

No dia seguinte fui ver como estava. Ele estava muito mal, muito mal mesmo e nem sei como conseguiu se abrigar atrás da pia do banheiro, ali existente, cuja porta sempre fica aberta.

Mais que depressa fui pegar água e comida, me condenando por não ter feito isso na noite anterior. A partir desse instante, fiquei atenta para que de fome não morresse.

Exatamente oito dias depois, percebi que ele se recuperava, pois sempre que chegava perto, ele dava pequenos vôos, como para me mostrar que suas asas já cresciam. Na quinta-feira, dia 19, antes de ir trabalhar, fui vê-lo e o sentindo bastante forte, lhe falei seriamente:

- Ô pombinho, você já está quase bom. Até já está saindo da ‘’UTI’’! Então preste atenção: Amanhã o zelador vem fazer a limpeza do prédio e vai lavar este banheiro. É bom você não estar mais aqui! Considere-se de alta!

Ele ficou me olhando atentamente e assim ficou até me ver ir embora. - Aquele olhar tranquilo, mas enigmático, ficou em mim durante todo o dia.

Será que ele havia ficado triste comigo, ou aquele olhar era de agradecimento? Não sei! Só sei que eu estava feliz por ele não ter morrido. 

Na sexta-feira, logo cedinho, antes de ir trabalhar e antes que o zelador chegasse, fui vê-lo... 

Ele tinha ido embora!...

Sentindo uma lágrima no rosto, sorri. 

A vida é mesmo surpreendente! 

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Praia de Candeias-PE
Em 22.09.2015 (domingo)

* Para ler o conto, clique no título. 

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sábado, 21 de novembro de 2015

BATUCADA



BATUCADA
Ysolda Cabral


TUM, TUM, TUM
TIC, TAC,TIC, TAC 
TUM, TUM, TUM
TIC, TAC, TIC, TAC

Atenção!
Não é o Olodum.

É o relógio e o coração,
fazendo a percussão,
de uma nova canção,
na manhã de sábado. 

No coro, as ondas do Mar,
fazem o refrão com perfeição.
Eu fico a considerar...
Será porque hoje é sábado?...

Será que me convém cantar?
Sempre fui tão desafinada!
Melhor, definitivamente, calar
e esquecer que hoje é sábado.

TUM, TUM, TUM
TIC, TAC,TIC, TAC 
TUM, TUM, TUM
TIC, TAC, TIC, TAC

E lá vou eu a dançar pela casa...

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Praia de Candeias-PE
Ao som do Olodum
Em 21.11.2015


Para escutar a batucada, acesse: 

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