quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

MOMENTO





MOMENTO
Ysolda Cabral


Penso, neste exato momento,
que a tarde cai ao som de uma música 
agradável, porém desconhecida 
e que me chega de não sei onde.

O Mar, quase sem onda, 
destoa da cor do Céu, cinza escuro,
avisando que a noite é chegada.
Olho ao redor e não vejo nada.

De repente me chega um Vento afoito,
decidido e me envolve por inteiro!
Lembro você e sinto saudades.
O que mais posso fazer?

Agora já é totalmente noite.
Não vejo Estrelas e nem a Lua, ainda...
A música silenciou...
O Mar agora é só murmúrio...

Sua ausência é sentida de forma tão intensa 
que a lágrima cai sem a percepção da perda, 
embora ainda presente em meus olhos
perdidos no vazio sem você...


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

PLANOS PARA O NOVO ANO ...


Imagem Google





PLANOS PARA O NOVO ANO

Ysolda Cabral



Daqui a exatos três dias o ano de dois mil e quinze termina e eu perscruto a minha alma quais são seus planos para o novo ano e nada, rigorosamente nada, ela me responde. Deixo minha mente vagar e me sinto transportada para o tempo de menina, lá na minha Caruaru querida...

A princípio estou triste por não ser uma pastora do cordão azul ou do encarnado e nem Diana,  no Pastoril da Igreja da Nossa Senhora da Conceição, que se apresenta todas as noites desde a véspera do Natal. Isso sem falar que estou tonta de tanto mamãe me balançar no barquinho, ou canoa, no parque de diversão, quando, na verdade, eu queria estar na roda gigante.

O meu vestido de renda branca voa no ar e eu o imagino velas de um barco, a navegar até a terra da roda gigante que me levará vôos lindos aos Céus.

- Ah, como quero voar!...

Mas, enfim, logo, logo, acontecerá a contagem regressiva, com todas as luzes apagadas. Nesse ínterim, fogos de artifícios se confundirão com as estrelas e, quando, as luzes, novamente, forem acessas, estaremos no novo ano, firmado no alto da nossa bela Igreja, com os votos de Feliz Ano Novo.

Com a consciência de que algo mágico, inacreditável mesmo, aconteceu naqueles poucos instantes, me sinto renovada pela certeza de que o novo tempo trará coisas boas para mim e para todo mundo.

Por muitos e muitos anos vivi momentos assim e ainda vivo, mesmo considerando nunca ter sido pastora, nem Diana e nunca ter ido à ''Terra de Gigantes’’. Mas sei que consegui muitas vezes voar, vôos que me transportaram para um mundo melhor. E, independente de distante estar da criança que fui e da contagem do tempo, sei que vou continuar voando, sem ser anjo ou passarinho.

Feliz 2016, para todos!

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Praia de Candeias-PE
Em 28/12/2015
Ysolda
uma pessoa que chora e ri, de alegria,
tristeza ou saudade, sem pudor. 


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

REFLEXÃO NATALINA




REFLEXÃO NATALINA 
Ysolda Cabral




Em plena semana Natalina, quando todos se preparam, de uma forma ou de outra, para mais um Aniversário do Menino Deus, eu luto contra uma tristeza, sem vereda e sensos de sendas, que sempre me devasta nesta época do ano, desde que minha mãe se foi. Dessa feita, a tristeza chegou com maior intensidade, posto que a ela se somaram outros fatores que , por mais que eu lutado tenha para lhes mandar embora , simplesmente não consigo. Paciência…

E, já que ela, a tristeza, chegou sem ser convidada, pois que desfrute de minha ''casa'' da maneira que lhe convier! Não vou me incomodar.

É microcefalia, é febre zica, é chicungunha… É mais violência e fome mais, desmandes, desmontes, desnutrição, desemprego, desgoverno, inflação… E, sem nenhuma perspectiva boa, como a gente pode se animar para alguma coisa?

- Ah, a esperança? Sempre pinta no pedaço, mas sempre desaponta.

E, sem inspiração, causas e motivos, penso na rareza de sinceridade, na escassez de generosidade, na parcimônia de ideologias, de objetivos concretos e de bons sentimentos…

Entretanto, eis que chega mais um Natal, mais um aniversário do Nascimento de Jesus Cristo!…

Busquemos, pois, o sentimento de fraternidade, de irmandade, em tudo o que Ele nos ensinou. Talvez assim (apenas talvez), consigamos resgatar a humanidade do completo e intrincado caos em que se encontra imersa, e o mundo possa, finalmente, conhecer um pouco de paz, de prosperidade, voltar a viver venturas com igualdade e retidão.

Feliz Natal e um Ano Novo repleto de tudo de bom, gente amiga!

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Praia de Candeis-PE
Em 22.12.2015
3a. feira

Para escutar a música de fundo,acesse: 

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sábado, 19 de dezembro de 2015

SOLITÁRIA LIBERDADE

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SOLITÁRIA LIBERDADE
Ysolda Cabral



No limite da saudade,
a tarde cai de mansinho.
Paira no ar inexplicável ansiedade,
ao som do canto de passarinho...

O Mar murmura possibilidades,
penso no amor, penso em carinho...
Ah, inútil e solitária liberdade,
a trilhar trôpega pelos caminhos!

No limite da saudade,
Sou puro redemoinho!
Sou mentira e sou verdade,
na tarde que cai de mansinho.


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Praia de Candeias-PE
Em maré de pura saudade
19/12/2015
Apenas Ysolda - IV




BRIGA PELO DIA




FOTO: YSOLDA


BRIGA PELO DIA 
Ysolda Cabral



Hoje, a Chuva e o Sol brigam pelo Dia. A briga é tão poderosa que, no confronto, na batalha ferrenha e acirrada, não chove e nem faz sol. Atordoado o Dia aguarda o vencedor para saber se vai sorrir ou se vai chorar. Enquanto isso, o bebê acácia, tranquilo em plena avenida, nunca me pareceu tão lindo!



Bairro do Espinheiro
Recife PE ( 6a.Feira - 07:h)
Apenas Ysolda


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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

UM COCHILO




UM COCHILO
Ysolda Cabral


Fecho os olhos,
Isolo-me de coisas ruins.
Sonho acordada,
Durmo do nada, 
Acordo feliz!...

Fecho os olhos,
Vejo Luz!...
Sem fendas, 
Esqueço ofensas,
O amor me conduz.

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Em pensamentos soltos
Em 16/12/2015

domingo, 13 de dezembro de 2015

RECIFE ANTIGO - DECORAÇÃO DE NATAL





RECIFE ANTIGO - DECORAÇÃO DE NATAL
Ysolda Cabral



Minha filha nutre uma cisma, uma antipatia, uma completa rejeição ao bom prefeito da capital de Pernambuco, Geraldo Júlio, desde a campanha. Coisa mais inexplicável! Creio que isso vem de outras vidas, se elas realmente existiram. Ele até fez uma campanha séria e vem fazendo uma excelente gestão!

Considerando tudo isso foi que, de muito bom grado, aceitei o simpático convite do meu irmão, para juntarmos nossas famílias e irmos todos até o belo bairro do Recife Antigo, ver a decoração de Natal, no sábado à noite (ontem).

E lá fomos nós, por volta das 18 horas. Hora da Ave-Maria... 

Devo confessar que encontrei um pouco de resistência por aqui – já esperava! Mas, fiz valer minha autoridade de mãe e compromissos outros foram adiados.

Fiquei apenas em dúvida se levaria meus óculos de sol, pois, sabendo da característica generosa, farta e de bom gosto do nosso Prefeito, com certeza o Recife Antigo estaria sob iluminação tão intensa, mais tão intensa que lá seria dia.

Bem, dia, dia mesmo não estava, mas tinha uma ruazinha lá, a menorzinha de todas, com uma rede de luzes suspensa, entre a árvore de Natal e a Manjedoura.

Confesso que fiquei meio atordoada procurando entender à razão de tanta economia na decoração do Natal do Geraldo Júlio e, antes que eu conseguisse diluir tudo àquilo, eis que vejo estarrecida um caminhão, tentar cruzar a rua sob a linda rede de luminárias natalinas.

- Que motorista desalmado! Ele ia acabar com o pouquinho que nos foi concedido em decoração de Natal, pelo bom prefeito! - Que desmancha prazeres!

- Mas, só se fosse por cima do meu cadáver!

Firme, forte e decidida, fui até o caminhão, preso a rede e ao verificar que o motorista tentava desvencilhar o baú dos fios para poder passar, ceguei e a raiva aumentou!... 

- O senhor enlouqueceu de vez? Quer acabar com o pouco do nosso Natal? Não tinha outra rua para o senhor levar esse monstrengo, não?! E o desmancha prazeres, boquiaberto, só dizia: 
- ''Minha senhora, minha senhora! As ruas estão todas interditadas! ‘’
– Interditadas?! E aí o senhor entende de vir justo por esta aqui!

A essa alturas, o pouquinho de gente que circulava por ali, também meio desiludida com aquela bonita, mas parca decoração, se achegou a mim como apoio. - Exceto minha família, naturalmente!

O motorista então resolveu voltar de onde veio e foi embora de ré.

Salva a decoração, acalmados os ânimos; fomos às fotos.

No caminho da volta, até onde os nossos veículos haviam ficado estacionados, pensei em voz alta que, ao invés dos óculos de sol, deveria ter trazido uma lanterna.

Meu irmão disse que nunca mais me chamava pra ver decoração nenhuma.

- Que coisa!